O infinito, de Leopardi
Setembro 15, 2008
“O infinito”, Leopardi
Sempre caro me foi este ermo vale,
E esta sebe, que de toda parte
Do último horizonte o olhar exclui.
Mas, sentado a vislumbrar, o interminado
Espaço, de lá de longe, e o sobre-humano
Silêncio, e a profundíssima quietude
Eu no pensar me finjo, e por bem pouco
O coração não se apavora. E como o vento
Ouço farfalhar nas folhas, eu aquele
Infinito silêncio a esse cicio
Vou comparando: e me sobrevém o eterno,
E as mortas estações, e a presente
E viva, com seus sons. Assim, nessa
Imensidão se afoga meu pensamento:
E naufragar-me é doce nesse mar.
[15.set.2008]
