Os últimos dias de paupéria

Novembro 30, 2008

pauperia

Torquato Neto, Os últimos dias de paupéria, Rio de Janeiro, Eldorado, 1973

Achei o livro do Torquato num sebo no Largo 7 de setembro. Não como item raro, como livro zoado. É a primeira edição e vem com um compacto. No lado A, Gilberto Gil canta “Todo dia é dia d”; no B, Gal Costa, “Três da madrugada”. Nunca ouvi. Quem organizou foi o Wali Salomão. Duas vezes deixei de comprar a segunda edição, da Max Limonad. Uma delas, numa banca de usados na USP, com o dinheiro no bolso, indeciso, veio um cara, pegou e levou.

Nunca consegui ler mesmo o Torquato, cujos textos foram reeditados pela terceira vez há uns três, quatro anos. O livro é uma espécie de baú, com muita coisa que não faz muito sentido para mim. Torquato foi um poeta de ondas curtas, um cara que pensava o que estava acontecendo, ali, em cima da hora. Tenho a impressão. Tanto que não publicou. Deve ter deixado tudo assim solto. Saiu avoado, como se dizia em São Paulo tempos atrás. Torquato é um dos caras que sempre me ocorrem quando penso nessa geração efêmera que inclui também Ana Cristina César, Paulo Leminski e Cacaso. Nunca vi os filmes que ele fez.