O mez da grippe

Dezembro 13, 2008

mez_da_gripeO mez da grippe, novella de Valêncio Xavier, Curitiba, Fundação Cultural, Casa Romário Martins, 1981

Morreu aos 75 anos no dia 5 último o escritor paulistano-curitibano Valêncio Xavier. Ele construiu uma narrativa particularmente marcada pela cooperação entre texto, no sentido estrito, e imagem. Homem da tv e do cinema, publicou seu primeiro livro, este O mez da grippe, aos 48 anos. Achei o livrinho em um sebo em Pinheiros há dez anos. É uma pérola. Uma brochura despretensiosa, com cara de fanzine, pb. Ele é um desses casos de escritores que têm sucesso de crítica antes de ter não o sucesso de público, mas o próprio público. Já era comentado por gente como Décio Pignatari e Flora Sussekind antes de ter uma edição expressiva de seus textos e talvez tenha sido editado, pela Companhia das Letras, por causa desses comentadores notáveis. Mais do que a concorrência da imagem, me chama a atenção em O mez da grippe a concorrência dos discursos, inseridos na narrativa em sua forma gráfica peculiar, um cartão postal, um bilhete, uma notícia de jornal, um classificado. Um tipo de narrativa-colagem das mais instigantes. Um caso interessante e não panfletário do experimentalismo literário.