Tudo o que a gente vê nos manuais é uma repetição de um pequeno conjunto de preceitos ou convenções, e quando nós mesmos o decoramos partimos dele e passamos a produzir uma leitura pessoal da obra ficcional ou poética; essa leitura combina alguns conteúdos ou repertórios, quais sejam:
- a percepção e fruição dos poemas ou narrativas,
- os estudos de textos e paratextos críticos (orelhas, resenhas, apresentações etc.),
- as tendências particulares como profissionais que refletem a leitura e o texto literário (num sentido próximo ao de uma teoria literária),
- a experiência biográfica,
- o repertório individual de outras leituras literárias e suas preferências.
Acho que a partir daí formulamos uma leitura, que procura mobilizar aspectos que em nosso próprio modo de olhar são aqueles que melhor revelam o valor e o vigor de cada texto e sua capacidade de iluminar a percepção do mundo de cada leitor. Acho que nesse ponto chegamos a ter uma aula, digamos, modesta e orgulhosamente, uma aula autoral.