Ensino de literatura: proposição 1: gratuidade da leitura x utilidade social da leitura

30 mar

É preciso operar o sentido da gratuidade da leitura literária ao lado do sentido de uma utilidade difusa, que não se pode converter imediatamente em moeda, mas que, entretanto, é uma das competências mais indispensáveis para se operar uma trajetória social direcionada àquilo que se tenha planejado para si, o que quer que seja.

Essa competência é a do próprio trato social em um sentido amplo, que exige a imaginação organizada que preside a criação e a fruição de um mundo narrativo, bem como de um mundo fatual; a leitura, isto é, a análise rápida das situações, dos tipos humanos e dos desejos e poderes em jogo em cada tabuleiro social, seja a família paterno-materna, seja a família instituída pelo casamento e procriação, seja o campo profissional, do trabalho, das ordens e subordinações, seja o trato da amizade.

Ao mesmo tempo em que a leitura deve ser cultivada como atividade gratuita, deve-se mencionar que ela raramente não ensejará uma graduação social, pela compreensão mais ampla da máquina social, pela capacidade de expressar o próprio lugar, pelo repertório cultural que, ainda (mas talvez mais do que antes), tem valor social.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.