Pássaros/Ucelli, Mario Luzi

26 mai

PÁSSAROS

O vento é uma voz severa que adverte
a todos que há, em torno, a paz
e o alívio, naqueles ramos secos.
E a fila inteira retoma o triste voo,
migra no coração do monte, violeta
escavada em violeta inexaurível,
fonte sem fundo do espaço.
O voo é lento, penetra a fadiga
no azul em outro azul se abrindo,
no tempo além do tempo; alguns
dão gritos agudos que evolam
e nenhuma parede repele.
Eles parecem mover os cumes
– quase nem dá pra pensar
ou dizer – quando suas estrelas invisíveis
ao redor de uma estranha primavera
florescem em nuvens raras que o vento
conduz num céu úmido ou cinzento
e como correrá o dia não se sabe
o granizo, a chuva, o estio.

UCCELI

Il vento è un’aspra voce che ammonisce
per noi stuolo che a volte trova pace
e asilo sopra questi rami secchi.
E la schiera ripiglia il triste volo,
migra nel cuore dei monti, viola
scavato nel viola inesauribile,
miniera senza fondo dello spazio.
Il volo è lento, penetra a fatica
nell’azzurro che s’apre oltre l’azzurro,
nel tempo ch’è di là dal tempo; alcuni
mandano grida acute che precipitano
e nessuna parete ripercuote.
Che ci somiglia è il moto delle cime
nell’ora – quasi non si può pensare
né dire – quando su steli invisibili
tutt’intorno una primavera strana
fiorisce in nuvole rade che il vento
pasce in un cielo o umido o bruciato
e la sorte della giornata è varia,
la grandine, la pioggia, la schiarita.

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